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Esboço de um panorama das Teorias da Comunicação no Brasil: uma aula inaugural

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Resumo

Abstract: This article is an inaugural lecture on Communication Theory that took place at the ECA-USP in 2017. It focused on: (1) the epistemological grounds of theory development as the search for a concept of Communication; (2) the disciplinary power-knowledge that has presided over time the inclusion/exclusion of ideas in theory; (3) the teaching of Communication Theory and the responsability of making it meaningful to students; (4) the ethical aspects of theory as the background that inform research on the otherness. These aspects are diacronically framed as an attempt to outline the historical developments that has lead to the current panorama. Keywords: Communication Theory; epistemology; teaching; research methods.

Foto de capa: iStock

[1] Este texto é uma aula inaugural sobre Teoria da Comunicação realizada na ECA-USP em 2017. Os quatro pontos principais foram os seguintes: (1)os fundamentos epistemológicos das teorias e a busca de um conceito de Comunicação; (2) o saber-poder disciplinar responsável pela inclusão/exclusão de ideias na área; (3) o ensino de Teoria da Comunicação e a responsabilidade de torná-la significativa para os alunos; (4) os aspectos éticos da teoria, entendida como fundamento da pesquisa sobre a alteridade. Esses aspectos são diacronicamente trabalhados procurando delinear os desenvolvimentos históricos na origem do atual panorama.

Palavras-chave: Teoria da Comunicação; epistemologia; ensino; métodos de pesquisa.

 

1. Introdução

Boa tarde a todas e todos. Queria iniciar isso que se chama Aula Magna. E se a expectativa é de uma aula, onde serão oferecidas respostas, começo decepcionando, porque trouxe mais perguntas do que respostas. Até porque, se existe uma constante no ofício de professora, de professor, é talvez a intenção de despertar questões e reflexões, mais do que oferecer cardápios prontos e acabados.

Começo agradecendo muito o convite para estar aqui. O agradecimento é uma oportunidade de fazer um movimento do privado ao público. Ao torná-los públicos, mostramos a pluralidade de vozes existente em toda pesquisa. Gosto de ler agradecimentos de teses, dissertações e monografias de conclusão de curso. Quando começamos diretamente pelo texto, deixamos de ver as outras vozes envolvidas, muitas vezes submersas naquele conjunto sério de textos, citações e ABNT, mas que deram apoio fundamental à pesquisa – às vezes, mais do que este ou aquele autor.

O primeiro é ao convite da Coordenação do Programa de Pós-Graduação da ECA/USP. Lugar onde nunca estudei, mas me oferece o privilégio de estar aqui sempre em uma posição confortável, seja como amigo, seja como leitor da bibliografia que circula pelo campus. Agradeço também à direção da Faculdade Cásper Líbero, à coordenação e aos colegas.

Especialmente, orientandos, alunas e alunos. Talvez vocês, estudantes, aqui nesta sala mesmo, não saibam a importância que tem no nosso desenvolvimento intelectual. Uma pergunta que vocês fazem, um comentário, geralmente até de maneira tímida – “professor, não sei se a minha pergunta é boa, mas…”; Claro que é! Se você desviou seu pensamento a ponto de fazer uma pergunta, é porque ela é boa – também desvia o nosso.

E, claro, dentro desse espírito, agradecimentos no sentido pessoal. Para um de cinco anos que está brincando no Jardim da Infância e outra que está de plantão, porque é jornalista.

O convite feito pelo professor Eneus Trindade é para falar de um panorama das teorias da comunicação no Brasil. Perspectiva encantadora, mas na mesma medida desafiadora. Quando a gente fala em “panorama” pode dar a impressão que temos uma visão de lugar nenhum. Ao contrário, o único panorama que posso descortinar é altamente subjetivo, ligado a uma trajetória de pesquisa, a única que posso oferecer.

E de onde se vê esse panorama? A resposta é a construção de um trajeto de pesquisa, muitas vezes vinculado ao acaso. Imaginamos o estudo como algo que nasce pronto e acabado, mas há uma trilha. E, brevemente, esta é uma trajetória de encontros com a vontade de estudar.

* * *

Essa viagem começa de uma maneira midiática em 1983 quando descobri, assistindo televisão, que estudar podia ser divertido. Não deixa de ser sintomático: minha geração nasce no ambiente da televisão. No caso, foi vendo “Cosmos”, uma série sobre ciências apresentada pelo astrônomo Carl Sagan. Mostrou que é possível se divertir e estudar ao mesmo tempo.

Corto para a entrada na Faculdade, em 1995, quando, no curso de Comunicação, notei algo que achei fantástico, mas na época não problematizei: você pode estudar muita coisa. Fiquei realmente fascinado, pois era possível estudar música, literatura, quadrinhos, cinema, teatro, programas de TV e muito mais.

Apenas em 2007, bem depois de concluído o doutorado, essa questão se tornou um problema de pesquisa. Nesse ano, em uma instituição onde trabalhava, tive a oportunidade de colaborar com a reformulação do programa de Teoria da Comunicação. Ao olhar a bibliografia, algo chamou a atenção: não havia consenso nos livros intitulados “Teoria da Comunicação” a respeito dos saberes incluídos sob essa rubrica. Foi a origem desta pesquisa.

Naquele momento, em 2007, havia cerca de trinta livros intitulados “Teoria da Comunicação”. Hoje são quarenta e três, publicados entre 1969 e 2016, embora existam trabalhos anteriores, sem esse título, de 1967. Portanto, em uma cronologia, há aproximadamente cinquenta anos se escreve sobre Teoria da Comunicação no Brasil e ainda não se encontrou um ponto de consenso. E aí surge a pergunta: o que a gente chama de Teoria da Comunicação?

Não é minha ideia dar uma definição acabada, ontológica, no sentido de falar “Teoria da Comunicação é isso”, dentro de uma perspectiva essencialistas, porque, como lembram algumas correntes fenomenológicas, a definição pelo nome mata a coisa. No momento que falo “Teoria da Comunicação é isto”, destrui a chance da troca. Mais do que tentar encontrar uma definição, penso que as perguntas são outras: por que algumas teorias são “da comunicação”? O que faz de uma teoria, “Teoria da Comunicação”? Por que, dentro desses 43 livros, existem teorias vindas das mais diversas áreas do conhecimento, que chamamos de “Teoria da Comunicação”?

Isso tem consequências práticas na pesquisa. Quando, em diálogo com sua orientadora ou orientador, você escolhe seu referencial teórico, será que ele se torna “Teoria da Comunicação”? Será que estamos, a partir daí, aumentando esse escopo?

Pensando nesses 43 livros, podemos pressupor que se existe esta quantidade de obras, sendo que as duas mais recentes foram publicados num espaço de seis meses, é porque existe alguma vitalidade na área e, mais ainda, interesse em entender o que é teoria da comunicação.

Examinando esses livros, percebemos três “zeros”.

Zero: é o número de autores de autores africanos, asiáticos, do Leste Europeu, do Oriente Médio, ou qualquer um que não seja dos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, México, Colômbia, Argentina e Brasil.

Zero: é o número de autores brasileiros citados fora de Rio de Janeiro, Mina Gerais, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Zero: é o número de mulheres citadas em mais de um livro.

Essas ausências chocam, mas não espantam. Os discursos de teoria da comunicação, como qualquer discurso, estão vinculados aos lugares onde foram criados. Talvez esses números não surpreendam quando pensamos nas condições em que as pesquisas e teorias são criadas. Isso vai além do problema regional ou econômico. Mesmo países desenvolvidos não são vistos nesse cânone –  não sabemos o que se pensa sobre comunicação, digamos, no Japão ou na China, exceto quando algum pesquisador desses países publica em uma revista euro-anglo-saxônica.

Transformar esse panorama depende de cada um de cada pesquisadora, de cada pesquisador. O esforço de pensar teoria da comunicação não é só estudar um conjunto de conceitos abstratos, mas pensar teoria como algo que a gente vive, nos move, mexe conosco.

Para trabalhar um panorama das teorias, em vez de fazer um inventário das ideias ou do conteúdo dos livros, pensei em buscar um corte transversal a partir de quatro eixos.

O primeiro, na ausência de nome melhor, chamaria de dimensão epistemológica: o que há de comunicacional nas teoria da comunicação? O que elas dizem sobre os – sempre no plural –fenômenos da comunicação? Como dialogam com o mundo atual? A teoria está viva dentro de cada trabalho, dentro de cada um. Nessa pulsação somos convocados a trabalhar nossos objetos.

A segunda dimensão é institucional, como agrupamento de saberes dentro de um campo. É para pensar a Teoria da Comunicação como disciplina acadêmica e no campo da comunicação. Qual a sua especificidade na Área? Quando fazemos um texto sobre Jornalismo ou de Relações Públicas, trabalhamos com Teoria da Comunicação? Ou Teoria do Jornalismo e Teoria das Relações Públicas? Isso fica evidente nos cursos universitários, e isso nos leva ao próximo ponto.

Terceira, a dimensão pedagógica. Imagino que se você está aqui, ou você é ou será professora e professor. Nesse ponto é maravilhoso falar entre colegas. Se a gente é professor ou professora, é porque em algum momento a gente se apaixonou por esse espaço mágico da sala de aula. Essa paixão nos move e nos convida a enfrentar problemas vinculados à teoria no campo pedagógico. O que ensinamos de Teoria da Comunicação? Se voltarmos no tempo, o que você aprendeu ou aprende em teoria da comunicação? Se alunas e alunos de graduação de universidades diferentes e forem comparar os cadernos dessa disciplina, quais os pontos comuns? Quais critérios epistemológicos regem o que circula na sala de aula?

E, finalmente, uma dimensão ética. Porque se teoria é algo que se vive, ela diz algo a respeito do nosso aporte em relação à alteridade. Cada teoria cria um modo de ver a alteridade. Quem é esse outro que a teoria ajuda a construir? Qual é a responsabilidade ética que, como pesquisadoras e pesquisadores temos, ao eleger uma teoria que nos levará ao encontro do outro?

Nosso vínculos com a teoria são muito sérios. Algumas das melhores discussões que já vi no mundo acadêmico foram discussões a respeito de autoras e autores, com pessoas defendendo seus respectivos autores do coração.

Aqueles que chamo de nosso “autor de pelúcia”. Sabe? Aquele autor que “deu problema na qualificação, agarra o seu autor de pelúcia e vai dormir”? A gente tem esse apego porque nossa relação com a teoria não é apenas intelectual. Ela é afetiva, nos mobiliza; é ética, ela nos mobiliza na relação com o outro. Ao trazer esse quarto aspecto  busco entender como a teoria desperta respostas, responsabilidades e o respeito pelo outro.

 

2. A dimensão epistemológica

Entrando nesse circuito pela dimensão epistemológica, uma pergunta que se faz, ao examinar o conjunto dos livros de Teoria da Comuincação, é a seguinte: se tudo isso é “teoria da comunicação”, estamos com um problema um tanto sério. Porque o campo da comunicação, assim, não teria limites. Seria possível chamar qualquer coisa de “Teoria da Comunicação”, e isso é um problema, porque significaria que perdemos ocritério epistemológico para definir a própria noção, por exemplo, de articulação de uma teoria em uma determinada realidade.

Não parece existir unidade epistemológica dentro desse cenário. Cada teoria chama de “comunicação” um determinado conjunto de fenômenos. Podemos fazer alguns agrupamentos, mas não há consenso no sentido de definir algumas questões básicas.

Até porque elas vêm de espaços muito diferentes.

As teoria da comunicação, em alguma medida, são teorias de outros campos – isso não é um problema, mas algo para pensar. Existem Teorias da Comunicação criadas por pessoas vinculadas aos estuso de Comunicação? Ou nós, da Comunicação, adaptamos e usamos teorias de outras áreas para determinados objetos empíricos que, de alguma maneira, vão ser estudados como “Comunicação”? A julgar pela variedade, pela diversidade que, como lembra José Luiz Braga, beira a dispersão com muita facilidade, muito do que é nomeado “Teoria da Comunicação” são, a rigor, teorias vindas de outras áreas – o que, insisto, não é um problema – que oferecem delineamentos para a pesquisa na nossa.

Uma pergunta que talvez todos já tenhamos escutado dos nossos orientadores e das nossas orientadoras, é “o que tem de comunicação no seu trabalho”? Às vezes nossa ideia é maravilhosa, mas, quando colocamos o projeto em discussão, ouvimos essa pergunta. Não é uma pergunta implicante, fazendo aqui uma defesa de orientadores: ela desperta a problematização da vinculação da pesquisa com a área.

Quando lidamos com aportes de outras ciências precisamos fazer uma pergunta que, infelizmente, é antipática:  trabalhamos com uma conjunção interdisciplinar ou, muito mais, com uma justaposição de disciplinas dentro das Teorias da Comunicação? Até que ponto existe uma necessária e bem-vinda interdisciplinaridade, ou estamos fazendo uma justaposição de ideias, talvez multidisciplinar, mas não propriamente interdisciplinar? Pergunto porque, de tempos em tempos, ressurge no campo um debate a respeito da natureza do que estamos fazendo – se é Teoria da Comunicação, Teoria da Mídia,  ou uma grande Sociologia da Mídia.

Além disso, é importante pensar o potencial que as Teorias da Comunicação têm em relação à própria Comunicação. Quando escolhemos uma teoria como sendo a “nossa”, isso nos leva a formular os objetos de conhecimento. Toda teoria da comunicação traz em si sua operacionalização metodológica.

Mas, na prática de pesquisa, às vezes isso não acontece. De vez em quando lemos um artigo, uma tese ou dissertação na qual a “parte teórica” não dialoga com os procedimentos metodológicos ou com a análise.

Há trabalhos muito bem feitos – sem generalizar, penso em casos pontuais e extremos – nos quais a teoria não se operacionaliza como indicação metodológica. É possível questionar qual a razão desse discurso teórico quando não há diálogo com o fenômeno estudado. A ideia da teoria, nesse ponto, é nos ajudar a construir um referencial para formal o objeto e olhar esse objeto. Quando isso não acontece, precisamos fazer duas perguntas.

Primeiro, até que ponto não acabamos presas do empírico, procurando o objeto mais “novo”, no sentido de certo imediatismo? Estaremos correndo desesperadamente atrás de um empírico que se modifica todos os dias? E se fazendo isso, não estamos condenados a ficar pra trás, uma vez que nos falta tempo para transformar o empírico em objeto de conhecimento?

Segundo, o que significa “usar” uma teoria? Coloco “usar” entre aspas porque teoria não se “usa” num sentido utilitário. O pensamento teórico vai além disso. Todo mundo já teve esse encontro com autores e autoras que mudam o seu pensamento. Não só na teoria, mas uma poesia que transformou o seu modo de ser. E isso transforma nosso modo de observar o objeto.

 

3. A dimensão institucional

Isso nos leva à dimensão institucional da Teoria da Comunicação, ligada às possibilidades, controles e limites de um determinado saber. Áreas do saber não são, evidentemente, criadas a partir do nada. As presenças e ausências indicadas nos três “zeros” do início são resultado de uma genealogia: toda composição disciplinar é uma maneira de controlar os saberes e criar tramas de poder onde determinados discursos são incluídos ou excluídos. Para mudar é necessário quebrar epistemes, movimentar o pensamento em termos institucionais e epistemológicos. A história institucional das teorias da comunicação é a história da seleção de discursos que criam zonas de sombra em relação a outros.

E como que se forma esse cânone da teoria da comunicação? Basicamente com livros, apostilas e matrizes de cursos criados a partir de 1969. Por quê?

Quando elaboro um programa de ensino ou projeto um livro e decido que a teoria A e não a B deve constar, estou dando legitimidade institucionala um saber – e não falo de cátedra, mas como participante do jogo: se estou falando de problemas, sou o primeiro que deve ouvir isso. Não é qualquer programa, é um programa de ensino universitário, com chancelas, legitimações e legitimidades. Me perdoem se isto é óbvio, mas às vezes observar o óbvio desmonta o que aparentemente tem de “óbvio”.

A adoção institucional de certos discursos fortalece a ausência de outros. Na Teoria da Comunicação, as temáticas presentes ou ausentes são ao mesmo tempo caudatárias e reveladoras desse procedimento. Como resultado, ao longo do tempo, notamos a formação de um cânone restrito em relação às possibilidades teóricas em Comunicação.

Há algo interessante nesse processo. Durante os primeiros vinte anos, de 1967 a 1987 mais ou menos, há uma produção relativamente pequena, onze títulos de teoria da comunicação. E boa parte do conteúdo desses primeiros livros não seria considerada, hoje, “teoria da comunicação”. Já a partir de 1997 há uma transformação nesse panorama. Boa parte do 24 livros criados nessa época vão cristalizar de um cânone que já vem se esboçando há algum tempo.

Até o nome da disciplina passa por uma mudança. “Teoria da Comunicação” tinha um outro nome, “Fundamentos Científicos da Comunicação”. Em um livro com esse título, organizado pela professora Adísia Sá em 1972, um dos capítulos é sobre biologia. Uma área que pode, ou pôde, incluir da lógica formal até a biologia é realmente muito grande, com algo em sua constituição que merece ser analisado.

Há uma dispersão de tal porte nesse momento inicial que não é possível sequer formar um quadro comparativo sobre o que é teoria. No cânone inicial não existem “teorias” ou “escolas”, mas objetos e temas.

Curiosamente, nesse período inicial, boa parte dos autores que hoje chamamos de “Teoria de Comunicação”, já haviam sido traduzidos no Brasil, mas estavam fora do cânone. Nos anos 1960 e 1970, textos fundamentais Adorno e Horkheimer, Benjamin, Barthes, Morin,  Eco, Metz e Kristeva, por exemplo, já estavam em circulação nas interpretações sobre comunicação.

Isso era um paradoxo que talvez se mantenha até hoje: as autoras e autores presentes nos estudos de Comunicação não estavam nos livros de Teoria da Comunicação.

Em 1983, um texto do professor Venício Lima mostra um quadro das Teorias da Comunicação. Parece ser a primeira vez em que se trata do assunto a partir da divisão em “escolas” teóricas. E, curiosamente, nenhuma dessas escolas estava presentes nos livros de Teoria da Comunicação. Podemos atualizar a questão e pensar se o que chamamos atualmente de “Teoria da Comunicação” é, de fato, o pensamento teórico corrente nas pesquisas em comunicação. Não era no passado, não tenho certeza se é no presente.

Com isso, vemos a questão da seleção de teorias e escolas presentes. O que é teoria num livro não é no outro, em um panorama de dispersão muito grande.

Fazendo uma pequena abordagem numérica, temos um panorama de teoria da comunicação. Ao menos doze teorias. Pode parecer pouco, mas dentro de cada assunto há uma pluralidade de abordagens – são 189, em um conjunto de 133 autores e duas autoras.

O autor mais citado é McLuhan. O segundo é Harold Lasswell, que raramente trabalhamos como referencial. Mas nem eles estão em todos os livros. Mais próximo ao nosso repertório metodológico, Benjamin tem cinco citações. Na sequência vêm Habermas, Bourdieu, Morin e Althusser. Com menos espaço, Adorno, Deleuze, Hall – este último, aliás, muito presente nos estudos de Comunicação e pouco citado nos livros de teoria. De novo, podemos intuir um descompasso entre a teoria e a pesquisa em comunicação.

É curioso observar, dentro dessa lista, que a maioria deles talvez não se identificasse como “teórico da comunicação’. Em alguns casos podemos perguntar quais as razões da apropriação. O que nos leva a nossa terceira dimensão, que é a pedagógica – ou como transformar os problemas epistemológicos e institucionais em prática pedagógica.

 

4. A questão pedagógica

Talvez possamos começar de uma maneira, em certo sentido, anedótica.

Anos atrás, em uma instituição de ensino, um colega professor de Teoria da Comunicação contou que havia sido obrigado a tirar um determinado tema da ementa da disciplina. Perguntei a razão, ele disse que, como o tema aparecia também em outra disciplina, o docente daquela havia dito para ele “não trabalhar com isso”. Como novato, meu colega aceitou a instrução.

Isso sugere, de saída, a dificuldade de encontrar a especificidade dessa disciplina. O colega abriu mão de um conteúdo, mas, será que em outras disciplinas seria tão fácil? Deixar de lado autoras e autores porque são tratados em outras matérias? Em Teoria isso acontece, sugerindo uma certa modularidade desta disciplina, vinculada a presença ou ausência de outras.

Podemos nos perguntar o que ensinamos dentro de Teoria da Comunicação. Como trabalhamos isso para, na articulação com alunas e alunos, ajudar a compreender a realidade? Assim como na pós-graduação pensamos na maneira de abordamos a realidade das nossas pesquisas, na graduação o desafio é como falar de Teoria da Comunicação para uma geração entre os 18-20 anos, infinitamente conectado do que nós. É o retorno a aquela pergunta socrática, também tematizada por Pierre Bourdieu: é possível ensinar a virtude? Então podemos perguntar: é possível ensinar a Teoria? Como trabalhar a teoria nos cursos de Comunicação?

Isso leva a esse último aspecto dessa experiência pedagógica: falamos de Teoria como algo vivo ou acabamos, sem querer, fazendo da disciplina um “museu das teorias”? Isto é, mostramos a sequência como pertencente a um mundo que não existe mais? Daí a pergunta, quando vemos Harold Lasswell como o mais citado: o que ele tem a nos dizer? Ainda pensamos com o quadro conceitual que discursivamente rejeitamos? Será que estamos imbuídos de um modelo transmissivo e de efeitos da comunicação mesmo quando lidamos com mídias digitais e ambientes de circulação midiática e complexas referências culturais?

De vez em quando leio textos ou propostas de pesquisa falando de “efeitos” das mídias digitais na Comunicação. Será que esse uso da palavra “efeitos” não é um indício de uma determinada matriz teórica que vem se sedimentando a quase um século e com a qual ainda dialogamos? Será que vivemos num ambiente digital pensando em termos de um mundo analógico? E as Teorias da Comunicação, como são acionadas para construir pontes com os fenômenos contemporâneos? A ideia é pensar na Teoria para interpretar a realidade a partir de aportes que vão nos ajudar a olhar – e esse é um desafio pedagógico.

Teoria, como todo conhecimento, não muda o mundo. Faz algo mais precioso, muda você. Não aprendemos uma teoria de fato até começamos a observar o mundo a partir dessa teoria. E isso leva a dimensão ética.

 

5. A ética das teorias da comunicação

Quando aprendemos uma teoria, podemos ter com ela uma relação cognitiva. É a relação que, no sentido mais simples, nos ajuda a escrever o trabalho final da Pós-Graduação, ou a passar de ano, na Graduação. Mas essa não é a única ou a melhor relação para desenvolver com uma teoria. A pesquisa nos coloca diante do outro. E, ao fazer isso, como lembra Emmanuel Lévinas, nos coloca diante da responsabilidade infinita que temos com o outro, pelo outro. Por isso, quando a pesquisa nos faz ver, nos faz ver também a própria pesquisa.

Quando se estuda Teoria da Comunicação, estamos diante de uma dimensão ética, mas também estética: nos deixar afetar pela teoria. Nos deixar tocar, em nossa sensibilidade, pela visão de mundo que essa teoria oferece.

O efeito estético não pode ser sempre compartilhado como se gostaria, mas existe e deve ser pensado como esse encontro com a teoria, com a autora ou autor. Todo mundo, espero, já passou por isso de encontrar um livro, um texto e, depois daquela leitura, você é outra pessoa. Você se descobre pesquisadora, pesquisador da comunicação. Olha o mundo por outro prisma, vê a si mesmo por outro ângulo e percebe que a pesquisa transforma a pessoa que faz, muda sua concepção sobre você e sobre o outro.

A pesquisa nos transformar, ajudando em um auto-questionamento, na tentativa de contar outras histórias. O trabalho acadêmico, teórico, também é um ato narrativo. Às vezes nos questionamos se podemos escrever de um jeito ou outro. Outra tarde recebi um e-mail de uma aluna brilhante do terceiro ano da graduação da Cásper Líbero perguntando se ela poderia escrever um artigo acadêmico numa linguagem agradável. Não foi este termo, talvez outro mais moderno, mas chamou a atenção porque pesquisa também são histórias que contamos.

Ao contar uma história, nos colocamos na responsabilidade de narradoras e narradores. Entramos no circuito de inclusão e exclusão, luzes e sombras, no qual algumas temáticas vão aparecer e outras desaparecer. Daí, um termo que foi tema de um Seminário na Universidade Federal de Santa Maria, em 2011, “Cada pesquisa revela um mundo”.

Quando pesquisamos algo, permitimos que algo dentro de nós possa emergir. E também aparecer no cotidiano da academia. O trabalho de pesquisa nos desafia a uma postura de responsabilidade ética com o outro. Ao revelar este outro, quem estamos desvelando? Alteridades que criamos a partir de nós mesmos? Caricaturas de um outro como gostaríamos que fosse só para se encaixar na teoria do nosso autor de pelúcia?

Essa ética também se revela quando lembramos que na base de cada pesquisa, em geral, há uma inquietação. Se você for buscar lá atrás o que te trouxe pela primeira vez a vontade de fazer um mestrado ou doutorado, com raras exceções, alguma coisa na sua vida de inquietou. Um dia você olhou para algo na realidade e falou: “Isso está estranho. E quero descobrir o que é”.

A ética da teoria nos leva não só o amor da disciplina, mas também para a complexidade de trabalhar na pluralidade, na diversidade. Porque ampliar o conjunto de visões de mundo que temos é uma boa. Estamos falando sempre no plural, “Teorias da Comunicação”. Cada uma com sua pluralidade de mundos a revelar. Uma responsabilidade de cada um e cada uma de nós, que ensina Teoria, é trabalhar essa pluralidade. Talvez seja mais importante isso do que nos aferrarmos ao terreno de uma determinada disciplina e fazermos dela “a” Teoria da Comunicação.

A diversidade epistemológica não significa o caos, mas ajuda, nesse terreno ético, a pensar a pluralidade de teorias como múltiplas visões de mundo,  com outros modos de ser.

 

Um comentário final

 

Deste ponto, termino com uma provocação: em um artigo de 2009, o pesquisador Craig Calhoun, decidiu, com alguma ironia, ver o que estava escrito sobre Teoria da Comunicação na Wikipedia. Se alguém quiser fazer o mesmo e procurar o termo na Wikipedia brasileira, vai encontrar como definição: “um apanhado geral de ideias sobre comunicação”.

Muito, muito obrigado a todas e todos, pelo convite, por terem me ouvido e pela oportunidade.

 

Perguntas

 

Maria Cecília: (...) A comunicação, como ação transdisciplinar, implica numa abertura real, modificadora do trabalho: como ter noção de que não se fará uma justaposição? Quando você se abre para a diversidade e quando bagunça a ponto de ser diversivo?

 

A busca pelo saber, e aí não digo nenhuma novidade, é desprovida de fronteiras. O conhecimento é múltiplo, diverso, sem barreiras – elas são criadas histórica e culturalmente. Não existe, de antemão, “pesquisa em antropologia” ou “em comunicação”. O saber tem uma pluralidade una. Em certas condições, a Literatura pode ajudar a conhecer mais uma sociedade do que a Sociologia ou a História. Não por acaso Aristóteles colocava a poesia acima da História.

No entanto, institucionalmente, trabalhamos em campos de saber, espaços de poder. Quando indicamos um local de pesquisa, fazemos isso traçando fronteiras disciplinares.

 

Beatriz: A comunicação de que falamos no sudeste e no pensamento ocidental, sobre o “eu”, não é a mesma de outras regiões do país, principalmente quando reconhecemos as comunidades orais. Quando pensamos em epistemologia, não penso em unidade no sentido dos mesmos processos ou veículos, ou actantes. Mas, ao mesmo tempo, a epistemologia preza por essa unidade. Como resolver esse paradoxo em relação às várias epistemologias e pensamentos no Brasil ameríndio e ocidental eurocêntrico?

 

Quando estudamos História da Ciência descobrimos universos diferentes. Imaginamos quantas vozes teriam sido silenciadas ao longo da história. Não vamos esquecer que Sócrates aprendeu com Diotima, uma mulher, mas ela é citada apenas uma vez, em “O Banquete”, de Platão, aliás, uma teoria do amor mais linda que tem.

Sócrates aprendeu com uma mulher, filósofa, mas onde ela está na História das Ideias? Isso leva à sua questão sobre os limites do pensamento epistemológico. Tento entendê-los a partir de sua matriz institucional. A Epistemologia da Comunicação é pensada dentro do modelo de sociedade no qual emerge. Para estudar outras formas de comunicação precisamos de outras epistemologias. Isso demanda um auto-questionamento das condições de saber. Modelos epistemológicos têm uma validade – algumas coisas não são explicáveis, e isso é interessante: uma epistemologia que explicasse tudo seria uma espécie de anti-epistemologia.

 

Esmeralda: O que tem mudado nos modelos presentes na Teoria da Comunicação? Quais as perspectivas das novas temáticas, novas emergências das tecnologias, quanto à construção das teorias e dos sujeitos enquanto agentes dos processos comunicativos?

 

Talvez novos modelos nos permitam pensar fora do cânone. Demanda tempo. E, às vezes, precisamos reconhecer que o cânone facilita o trabalho dentro da minha “zona de conforto” epistemológico.

 

Paula: Minha maior dificuldade é saber o que comunica. Normalmente fazemos Teoria de Mídia, ou de outras coisas que não conseguimos colocar no escopo da comunicação. No meu caso, o objeto são os youtubers que falam sobre o cotidiano. Este efeito, da pessoa perceber que existe uma mudança nos conceitos, em ser banal ou não, na configuração da plataforma, me incomoda. Quando se assiste aos canais, algo capta as pessoas, e por isso são repercutidos e compartilhados. Mas o que comunica neste processo?

 

Eu tocaria em dois pontos.

Não existe objeto de pesquisa banal. Existem aportes banais para objetos de pesquisa. Uma característica da pesquisa é mostrar o que há de estranho e fascinante no aparentemente banal. No caso da mídia, às vezes é um “banal” com milhões de pessoas olhando. Hannah Arendt e Maximillian Kolbe, que pouco tem em comum exceto sofrerem a experiência do totalitarismo, instigam a pensar o significado do olhar na pesquisa: transformar o ordinário em extraordinário.

Sobre a diferença entre pesquisa da mídia e da comunicação, procuro observar que mídias não fazem nada: tento entender a comunicação como a dimensão humana presente na raiz de uma série de fenômenos, alguns dos quais passam, mas não são originários, da mídia. Quando recebo uma mensagem via smartphone, não penso “nossa, recebi uma mensagem via smartphone”, mas “nossa, uma pessoa me mandou uma mensagem”. Não estamos falando sobre mídia, mas do humano que se comunica, que afeta, no sentido de Espinosa.

 

Fernanda: Como condensar, no tempo da disciplina Teoria de Comunicação, toda esta gama de assuntos? Como fazer um programa de ensino que reflita a extensão do que é  comunicação?

Penso em dois pontos.

Primeiro, construir pontes entre teoria e cotidiano. Quais situações de hoje podem ser explicadas por uma determinada teoria? O curso muda, ou é ajustado, a cada ano. Ao mesmo tempo, tento evitar o cronocentrismo de tentar explicar apenas o imediato, que pode não existir no ano que vem.

Segundo, pensar em relação às alunas e alunos para quem as teorias devem significar algo. Vamos dialogar com dezenas de pessoas, provocar alguns sentidos – o amor ao saber, o deslocamento que se reflete em uma das frases mais lindas que podemos ouvir em aula: “nossa, não tinha pensado nisso”. Você ganhou o dia, porque provocou um deslocamento rumo a esse amor à teoria. Todo final de ano me pergunto: que ideias podem trazer esse amor ao saber?

 

Bruno: Você falou sobre a presença do Lasswell, Funcionalista. Há muito de funcionalismo na mídia. Será que essa lógica ainda não justifica o uso de um Lasswell?

 

Há discursos que se perpetuam em novas formas. A contagem de “visualizações” de uma postagem em rede social tem algo das pesquisas de audiência. O código semiótico de algumas mídias lembra o dos comunicadores de massa. Isso é parte da circulação midiática de códigos em um ambiente. Seria muito estranho não haver essa proximidade.

 

Jean: Eu me pergunto quantos pesquisadores estão preocupados em construir nossas bibliografias, com autoras e autores que não conseguem legitimação nos livros de teoria. Como cocê enxerga o problema em relação a estudos queer, coloniais, feministas, negros? Há preocupação em construir esses diálogos, com uma releitura desses autores excluídos?

 

A notícia que tenho é boa. Este encontro termina de uma maneira bastante esperançosa. Ausências vem sendo preenchidas. Não só na transformação de teorias, mas na emergência de temáticas, trazidas por indivíduos e grupos. É um indício que transformo em esperança.

 

Eneus: (...) A interdisciplinaridade é um processo de transformação em construção de teorias no exercício do processo de pesquisa. Isso não vem assim. Acho difícil adotar de saída a transdisciplinaridade. (...) Muitas vezes as pessoas acham que o escrever da produção científica é só a linguagem de ensaio, a mais difícil que tem. (...) No ensaio você fala o que vem a sua cabeça. Aí que há a confusão com jornalismo, ou qualquer tipo de escrita, literatura e ensaio. Gostaria de saber o que você pensa sobre essas questões.

 

O interdisciplinar é difícil, exige mudanças de lugar. Às vezes, mil perdões pelo exagero, mas não sei se um trabalho feito para duas disciplinas é “interdisciplinar”. O interdisciplinar demanda uma perspectiva de alteridade: o que o teu olhar me fala sobre este fenômeno? Me dê seu referencial para aprender e compartilho o referencial de onde estou pensando. Isso parece acontecer pouco em Teoria da Comunicação, ou mesmo na Área.

Uma provocação que me faço é no seguinte sentido: se a área de Comunicação é interdisciplinar, e trabalhamos com conceitos de outras áreas, quais conceitos da Área de Comunicação que as outras utilizam? Não parece existir esse trânsito. Talvez quando for possível ter mais a formular – quando novas epistemologias emergirem.

 

Referências

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[1]Este artigo é a transcrição da Aula Magna do PPG em Comunicação da ECA-USP, proferida dia 19 de abril de 2017. Outro texto-base, substancialmente diferente, está publicado na edição no. 28, Vol. 15, da revista Alaic. A transcrição foi feita por Juliana Ávila e Guilherme Martins, alunos de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, a quem agradeço. Procurou-se conservar o estilo da exposição oral.

 

Autor

Luís Mauro Sá Martino

Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.

Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP.

E-mail: [email protected].

Resumen: Este artículo es la conferencia inaugural sobre la Teoría de la Comunicación en el ECA-USP en 2017. Se centró en: (1) los fundamentos epistemológicos del desarrollo de la teoría y la búsqueda de un concepto de Comunicación; (2) el saber-poder disciplinario que ha hecho la inclusión / exclusión de ideas en las teorías; (3) la enseñanza de la teoría de la comunicación y la responsabilidad de hacerla significativa para los estudiantes; (4) los aspectos éticos de la teoría como los fundamientos de la investigación sobre la otredad. Estos aspectos se enmarcan diacrónicamente para delinear los desarrollos históricos que han conducido al panorama actual.

Palabras-clave: Teoria de la Communicación. Epistemologia. Enseñanza. Metodos de Investigación.

editor

Dr. Marcelo Santos - Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (2012). Dra. Prof. Simonetta - Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP (2001).

Informações do artigo
Líbero 42

JUL. / DEZ. 2018 | ISSN: 2525-3166 | Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero

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