Dossiê

A invenção do relacionamento abusivo: sofrimento e sentido nas relações amorosas ontem e hoje

editor

  • Português

Resumo

Foto: Reprodução

 

Este artigo discute o conceito de relacionamento abusivo, pensando como a acusação de abuso emocional nas relações afetivas se configura como uma importante pauta política feminista em nossa sociedade, que articula subjetividade da vítima e cultura terapêutica. Se hoje predomina o gênero testemunhal como narrativa autobiográfica, sugerimos que a confissão moderna ocupava esse lugar antes e representava uma forma distinta de articular sofrimento e moralidade. Problematizamos os desdobramentos políticos desta nova retórica, questionando em que medida este discurso confere às mulheres autonomia em suas relações íntimas.

 

Palavras-Chave: Relacionamento abusivo. Testemunho. Feminismo. Cultura terapêutica.

Introdução

Entre campanhas nas redes sociais e protestos nas ruas, as várias formas de mobilização das mulheres se tornaram uma das grandes forças políticas entre os anos de 2014 e 2018 no Brasil e no mundo. Além da popular Marcha das Vadias, que ocorre desde 2011 em várias cidades brasileiras, assistimos a diversos protestos de caráter feminista nos últimos anos: em 2015 e 2017 ocorreram grandes passeatas contra o então deputado Eduardo Cunha e a PEC 181, que pretendia dificultar o acesso ao aborto legal; em 2016, uma marcha reuniu duas mil mulheres na cidade do Rio de Janeiro contra a cultura do estupro; e, finalmente, em 2018, mulheres foram às ruas em diversas cidades do país contra a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência no movimento que ficou conhecido como #EleNão. Na internet, quatro campanhas brasileiras obtiveram grande adesão na luta contra o machismo entre 2014 e 2016: #EuNãoMereçoSerEstuprada; #PrimeiroAssédio, #EuViviUmRelacionamentoAbusivo e “Mexeu com Uma, Mexeu com Todas”. Podemos ainda citar, em caráter internacional, o movimento #MeToo em 2017, contra o assédio e a agressão sexual, e os protestos contra feminicídios “Ni Una Menos”, ocorridos em diversos países da América Latina entre 2015 e 2016.

Genericamente, não nos parece impreciso afirmar que as violências sofridas no interior da experiência sexual e amorosa heterossexual figuraram como principais pautas desta “nova onda feminista”. Temas como assédio, estupro e relacionamentos abusivos no interior de relações afetivas entre homens e mulheres surgiram com força nos meios de comunicação, mobilizando milhares de mulheres a compartilharem nas redes relatos sobre suas próprias vivências.

A proliferação dessas narrativas na mídia pode ser vista como sintoma de dois deslocamentos históricos: por um lado, uma mudança radical nas práticas amorosas, as quais cada vez mais supõem a efemeridade das relações e a igualdade entre os parceiros; por outro, a emergência de uma narrativa terapêutica como forma de dar sentido aos sofrimentos que pode ser vista como parte da produção da subjetividade contemporânea da vítima.

Para refletir sobre esse novo cenário, optamos por analisar testemunhos de vítimas de relacionamentos abusivos. Em linhas gerais, o conceito de relacionamento abusivo frisa a violência psicológica e emocional em relações afetivas. Para além da violência física, demonstrações de ciúmes e ações que diminuiriam a autoestima ou limitariam a autonomia da mulher passam a ser práticas consideradas abusivas. Além disso, ao contrário do assédio e do estupro, o conceito de relacionamento abusivo pressupõe haver intimidade prévia entre vítima e agressor, passando a tensionar também a esfera íntima.

Esses relatos testemunhais que participam da retórica política recente são por vezes permeados por conceitos retirados dos glossários terapêuticos e manuais de autoajuda. No entanto, esse não é necessariamente um fenômeno novo: a segunda onda feminista, ainda na década de 1960, é conhecida por ter problematizado a esfera privada e o ambiente doméstico como espaços de realização feminina, tendo sido fortemente influenciada pelos saberes da psicologia psicanalítica. De lá pra cá, no entanto, a psicanálise vem perdendo sua posição de destaque na forma como os indivíduos lidam com seus sofrimentos. Os discursos terapêuticos que emergiram desde então ajudaram a reconfigurar o espaço social da experiência afetiva, colocando a figura da vítima como protagonista do movimento feminista contemporâneo. Paulatinamente, passamos de uma clínica do desejo para uma clínica da violência (MELO; VAZ, 2019).

De antemão, partimos do princípio metodológico de que as experiências de alguém dependem, ao menos parcialmente, dos sentidos e descrições que este indivíduo atribui a elas. Toda experiência é mediada pelos discursos disponíveis em uma cultura e pelas normas e valores imbuídos nela. Assim, construir uma narrativa autobiográfica é sempre um trabalho de enquadramento de experiências. Quando novas descrições se tornam disponíveis e entram em circulação numa cultura, então passam a existir concretamente novas possibilidades de experiências que não existiam antes e que, portanto, não poderiam ter sido experimentadas até aquele momento. O conceito de relacionamento abusivo nos parece uma descrição inédita que fornece aos indivíduos um novo modo de dar sentido aos seus sofrimentos e transforma a experiência amorosa entre homens e mulheres.

Para estabelecer a singularidade histórica dessas narrativas recentes, recorreremos a relatos dados por mulheres sobre seu sofrimento nas relações amorosas no passado, buscando apontar quais dilemas morais elas encontravam e de que forma os narravam. Em seguida, tendo em vista a popularização de notícias e testemunhos sobre relacionamentos abusivos, discutiremos como paulatinamente as relações afetivas, principalmente as heterossexuais, passaram a ser vistas sob a ótica do abuso como uma ameaça à saúde psíquica dos indivíduos. Assim, propomos uma reflexão sobre o nexo entre experiência amorosa, sofrimento e moralidade nos dias de hoje.

É preciso, enfim, frisar que o nosso objetivo não será questionar a veracidade dos relatos compartilhados, mas analisar quais deslocamentos morais e de sentido ocorridos no interior da cultura ocidental forneceram as condições de possibilidade para a elaboração desses testemunhos. Mais ainda, em um esforço de autocrítica e de contribuição ao debate, esperamos ser capazes de empreender uma análise que assinale quais armadilhas podem estar presentes nessa forma de construir as relações pessoais íntimas.

 

 

Cartas a um psicanalista: a confissão e o desejo feminino

Em 1986, o psicanalista Eduardo Mascarenhas publicava o livro A Costela de Adão: cartas a um psicanalista, uma coletânea de correspondências recebidas pelo autor durante o período no qual manteve colunas em diversos periódicos, como os jornais Última Hora e O Dia e as revistas Cláudia e Contigo. Mascarenhas ficou conhecido na década de 1980 por popularizar a linguagem da psicanálise e por participar de programas de televisão, como o TV Mulher, da Rede Globo. Como o título do livro nos alerta, as cartas recebidas eram escritas em sua maioria pelo público feminino, que narrava suas angústias em busca de aconselhamento.

Essas angústias derivavam do fato de que naquele momento as mulheres buscavam atender demandas antagônicas: de um lado, permaneciam certos ideais conservadores relacionados à família e à sexualidade; de outro, o discurso da liberação sexual ganhava força na classe média brasileira – esse movimento duplo fica evidente pela própria presença dessas discussões nos meios de comunicação. Segundo Taylor (2007, p. 485), o ideal de realização pessoal e de autenticidade implicou na relativização dos valores da castidade, da monogamia e da heterossexualidade. No entanto, sabe-se que a castidade e a fidelidade sempre pesaram mais sobre as mulheres enquanto os homens desfrutavam de regras menos rígidas nesse sentido. A liberação sexual, portanto, convocou principalmente as mulheres a explorarem mais a sua sexualidade em detrimento de seus compromissos matrimoniais.

O tema da virgindade e do recato sexual, por exemplo, aparece em diversas cartas. As autoras, cujas identidades permanecem sempre em sigilo, narram uma relação conflituosa entre seus desejos e as regras morais que marcavam aquele contexto. Uma delas afirma: “Continuo virgem, seguindo a criação que recebi. Claro que não me mantive toda pura por esse tempo, mas fiz apenas a metade do que eu tinha direito” (MASCARENHAS, 1986, p. 31). A exigência da castidade deveria prevalecer sobre as tentações carnais, e a relação que as mulheres estabeleciam com a sexualidade era da ordem da repressão: seu papel era o de apenas “ressentir” prazer, ou seja, experimentar apenas o contentamento de dar prazer ao outro (FOUCAULT, 1984, p. 197). Desse modo, a mulher não ocupava o lugar de sujeito de desejo, mas apenas de objeto do desejo masculino.

Outra autora deixa claro seu remorso ao narrar situações nas quais se entregou ao desejo pelos rapazes com quem se envolveu: “Eu, antes tão cheia de valores, de repente me porto como uma gata no cio”. Ao relatar o caso que manteve com um rapaz, ela diz ter feito um “esforço sobre-humano” para dizer não a ele. Uma vez que a mulher deveria ser apenas objeto do desejo masculino, o que se nota é a presença de um desejo feminino que não podia ser expresso ou, do contrário, poderia “assustar” o pretendente:

Ele não insistiu, embora já me olhasse de modo diferente. [...] Ele não voltou a me telefonar. Acho que teria me ligado se eu não tivesse me mostrado tão sedenta de sexo. Ele é do tipo que não aprova essas coisas. Do mesmo modo, 99% dos homens querem que a gente diga não a eles, que se comporte como donzela casta e desprovida de desejos. Só assim é que se interessam verdadeiramente. Sei que, se tivéssemos feito amor, eu teria perdido todo o respeito dele. Mas acho que estraguei tudo com a demonstração do meu desejo (MASCARENHAS, 1986, p. 37).

A obrigação de reprimir seus desejos e de manter imaculada certa imagem de pureza, resguardo e honra, resultava nas mulheres profundo sofrimento: “Vou vivendo acovardada, rindo por fora e chorando por dentro, obediente ao cotidiano e às mentiras de um puritanismo do século passado que me foi ensinado” (Ibidem, p. 41). Mas, quando resistir à tentação já não é mais possível, é perceptível o sentimento de culpa nessas mulheres por terem se desviado da conduta moral esperada, manifestado no temor das consequências de suas ações: “Tudo o que fizemos até agora foi conscientemente e com amor, mas tenho medo de não estar agindo certo. [...] Tenho medo de que, no futuro, essas pequenas situações prejudiquem nosso casamento” (Ibidem, p. 40).

Em outra carta, uma jovem casada com um homem quinze anos mais velho reclama da sua rotina de dona de casa e declara haver dias em que experimenta “uma vontade louca de mudar de vida”. Conta, insatisfeita, que ela e seu marido fazem sexo apenas uma vez por semana: “Vou confessar uma coisa: às vezes sinto desejo de ir para a cama com outros homens. Tenho apenas 25 anos e não estou satisfeita com o casamento. Sou indecisa e às vezes não sei direito o que quero da vida. Preciso da sua orientação” (Ibidem, p. 69).

Em suas respostas, Mascarenhas procura provocar em suas “pacientes” uma postura de desprendimento em relação às crenças dentro das quais elas se encontram prisioneiras: “Não tenho dúvidas de que boa parte dos homens e das mulheres é constituída por meros papagaios dos valores sociais dominantes, meros bonecos programados para repetirem as coisas que lhes foram ensinadas pela família e pela escola” (Ibidem, p. 38). Ao questionar as regras morais da cultura, ele convida suas interlocutoras a repensarem suas vidas. Contemplando a possibilidade de um futuro diferente, elas deixariam de ser “bonecos programados” para experimentar seus desejos de forma mais livre. Ele responde:

‘Sou ou não sou donzela? Seguro ou não seguro a mão dele? Troco ou não troco caricias? É hora de aproximar mais intensamente os corpos ou ainda é cedo?’ – essas não são as verdadeiras questões. [...] Muitas donzelas acabaram virando poços de rancor e ódio. Muitas ‘gatas no cio’, como você chama, construíram belas famílias, e viveram emocionantes amores (Ibidem, p. 39).

Revelando seus tormentos e desejos mais íntimos, elas esperam obter ajuda e direcionamento nos conselhos de Mascarenhas. A figura do psicanalista enquanto autoridade epistêmica capaz de dar sentido ao sofrimento e aliviar a culpa mostra-se crucial nessa dinâmica. Essas correspondências ao perito reencenam, portanto, o ritual terapêutico da confissão clínica moderna. Primeiramente, um ritual secreto (ainda que neste caso tenham sido levadas ao espaço público, as cartas permanecem anônimas), que “se desenrola numa relação de poder” (FOUCAULT, 1988, p. 61). Pois o psicanalista não é apenas o interlocutor, mas a autoridade capaz de interpretar o que lhe foi revelado, desvelando os verdadeiros desejos da paciente e, por fim, recomendando uma mudança de comportamento.

Além da inquietação com a sexualidade, outro tema se destaca pelas recorrentes queixas nas cartas: o relacionamento infeliz e o temor da separação. Uma das mulheres escreve a ele lamentando-se pelo casamento com um homem agressivo e possessivo, mas em seguida revela: “A verdade é que estou perdida. Não sei se amo meu marido ou se tenho medo dele. Não sei definir meus sentimentos, mas se ele sai e demora, fico em pânico, louca que ele volte” (MASCARENHAS, 1986, p. 162). Outra ainda afirma: “Não recebo dele um gesto de carinho, só de humilhação. [...] Gostaria que o senhor procurasse me ajudar, mas sem falar em separação. Sou covarde e temo o mundo lá fora” (Ibidem, p. 70). Essas falas são interessantes na medida em que se assemelham aos testemunhos de relacionamentos abusivos, por frisarem a violência masculina nas relações.

Mesmo diante desses relatos, embora não censure os protestos e as mágoas, Mascarenhas se recusa a apontar culpados: “Não estou entre aqueles que acham que as mulheres são santinhas e os homens seres grosseiros e violentos. [...] Não posso saber que parcela de responsabilidade cabe a você e a seu marido” (Ibidem, p. 139). Apesar de reconhecer e condenar a gravidade das agressões masculinas, ele ressalta que a mulher pode ser tão violenta quanto o homem, “apenas exerce essa violência de forma oblíqua, indireta e sorrateira, recorrendo a mil formas de violência passiva” (Ibidem, p. 207), como queixas constantes, apatia e frigidez, que o autor classifica como “tortura erótica”.

De acordo com o psicanalista, se o relacionamento amoroso já não traz mais felicidade, cabe à mulher assumir uma postura de agência diante de sua vida, seja repensando suas atitudes dentro da relação ou tomando a decisão de pôr um fim ao seu descontentamento, o que significaria optar por sua independência ao invés da segurança de uma relação tradicional. Na visão do autor, recorrer à posição de vítima é uma solução fácil à pessoa amargurada:

Será que você tem medo de administrar sua própria liberdade, seus próprios impulsos, e por isso coloca a seu lado um policial que a impede de fazê-lo? [...] Num nível mais profundo, não estaria você, com anos de antecedência, preparando uma futura posição de vítima? Essa posição não deixa de apresentar várias comodidades. Sendo vítima, a pessoa pode ir à forra, realizando seus impulsos legitimada pelo rancor e pelos maus-tratos a que foi submetida. Agora, o fato de você se agarrar a um homem que a deixa entediada e deprimida me leva a crer que você tem medo de colocar à prova sua verdadeira capacidade de se fazer amar. [...] Cuidado com as armadilhas que está preparando para si mesma. (Ibidem, p. 65)

Nessa última frase, fica evidente que o conflito fundamental é psíquico, entre o desejo sexual e a regra social conservadora, o desejo de mudar de vida e o medo das consequências. O poder terapêutico da confissão se exerce na medida em que estabelece um “mecanismo de saber, de saber dos indivíduos, mas também de saber dos indivíduos sobre eles próprios e em relação a eles próprios” (FOUCAULT, 2014, p. 70). Assim, esta forma de discurso autobiográfico é capaz de provocar no indivíduo uma inquietação com seu desejo; em última instância, faz com que localize em si mesmo e nas suas crenças a causa de seu sofrimento.

 

Relacionamento abusivo e os testemunhos de vítima na mídia hoje

Nos quatro últimos anos, a temática dos relacionamentos abusivos se tornou recorrente na mídia brasileira. A título de exemplo: uma simples pesquisa no Google pelo termo “relacionamento abusivo” entre os anos de 2010 e 2014 retornará aproximadamente 16 mil resultados no Brasil. Entre 2015 e 2019, a mesma pesquisa resultará em mais de 100 mil resultados no país. No mesmo período, duas campanhas online[1] ganharam repercussão nas redes sociais com o intuito de mobilizar vítimas a compartilharem relatos autobiográficos sobre relações abusivas. Mas o fenômeno não se restringe à internet: o programa de auditório Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo, dedicou seis edições para debater o tema entre 2015 e 2018. Desde o início da atração (em junho de 2012) até julho de 2015, relacionamento abusivo nunca havia sido pauta[2]. Em 2017, a novela O Outro Lado do Paraíso, também na Globo, retratou um relacionamento violento entre os protagonistas da trama.

A relevância da questão enquanto pauta social se evidencia no modo como a maior emissora de televisão do país o aborda, explorando o debate em diferentes formatos e veículos. Além de novelas e programas de auditório, jornais regionais também exploram o tema, com base em falas de especialistas e de pessoas que narram suas experiências de relacionamento abusivo. Alguns exemplos de matérias jornalísticas mostram uma abordagem pedagógica, cuja proposta parece ser a de educar a audiência: “Saiba como identificar e superar um relacionamento abusivo”[3], “Mulheres sobreviventes da violência dão lição de como identificar relacionamentos abusivos”[4]. Em outras, a proximidade da violência é um alerta a quem assiste à programação: “Três de cada cinco mulheres já foram vítimas de relacionamentos abusivos”[5]; “Mulher fala sobre a dificuldade de reconhecer e conseguir sair de relacionamentos abusivos”[6].

O conceito de “relacionamento abusivo” costuma ser evocado para denunciar como ocorrem violências psicológicas no interior dos relacionamentos íntimos. As definições fornecidas pela mídia para os relacionamentos abusivos são ambíguas, por vezes controversas, e estão em permanente negociação. Genericamente, o crucial é que haja um desequilíbrio de poder no interior de uma relação afetiva. Tal desequilíbrio resulta na dependência emocional de um dos indivíduos, que é privado de sua autonomia e autoestima. O abuso pode ou não ser intencional – porém, na maior parte das vezes, sua denúncia assume a forma de acusação moral. Embora sejam menos comuns, há relatos de relacionamentos abusivos entre amigos, familiares, professores e alunos, entre outros. Tipicamente, no entanto, o relacionamento abusivo se refere a relações amorosas heterossexuais, nas quais a mulher é a vítima do abuso.

Um dos aspectos que marcam a passagem da Modernidade ao contemporâneo é uma mudança na relação causal que se estabelece entre desejo e sofrimento. Quando a psicanálise organizava o discurso terapêutico dominante, o sofrimento feminino nas relações amorosas era explicado pela dificuldade de a mulher desejar o próprio desejo por acreditar na regra moral. Porém, desde meados do século XX, a virgindade perdeu seu status central na experiência da sexualidade e o divórcio deixou de ser um tabu para se tornar uma prática comum. A autonomia e o bem-estar individual se consolidaram como valores maiores das sociedades contemporâneas ocidentais. Se até a Modernidade as ações dos indivíduos eram orientadas por uma série de recomendações de controle dos impulsos e de obediência a uma extensa lista de “não deverás” (RIEFF, 1990, p. 29), hoje se observa um enaltecimento da autonomia ao invés do sacrifício ou da abnegação. A prescrição para a boa vida passa a ser a satisfação das aspirações e desejos individuais. Cada vez mais se torna admissível o abandono das restrições coletivas impostas pela vida em sociedade, percebidas como obstáculos na busca pela felicidade dos indivíduos.

Por um lado, isso significou uma profunda reorganização do regime afetivo, ou seja, uma mudança nas práticas amorosas concretas. A exigência de autonomia e autenticidade faz com que as relações contemporâneas sejam cada vez mais marcadas por sua efemeridade – a liberdade que os parceiros desfrutam de encerrar o relacionamento a qualquer momento caso deixe de corresponder às suas aspirações e expectativas. Os relacionamentos atuais são organizados sob a égide da flexibilidade. A moralidade que rege essa experiência amorosa consiste em afirmar a independência mútua e a simetria no interior das relações, ao invés de exigir que se respeite, por exemplo, as normas de monogamia ou de conduta sexual decente (ILLOUZ, 2012, p. 60). Nesse processo, as relações deixam de ser regidas por critérios externos e passam a depender somente de si mesmas, ou seja, da vontade dos indivíduos envolvidos na equação em manter a relação.

Por outro lado, estas transformações na moralidade ocidental também implicaram na emergência de uma nova narrativa terapêutica. Como resultado dessa obsessão com o bem-estar subjetivo dos indivíduos, perdura em nossa cultura um meticuloso cuidado com os perigos que eventualmente possam representar uma ameaça à saúde psíquica dos seres humanos. Um dos desdobramentos desse cuidado é que “muitas experiências, que até aqui haviam sido interpretadas como etapas normais da vida, foram redefinidas como prejudiciais às emoções individuais” (FUREDI, 2004, p. 5). A vida afetiva passa a ser vista como “algo que necessita de manejo e controle”, regulada “nos moldes de um ideal de saúde” (ILLOUZ, 2011, p. 91). Antes idealizada como um “abrigo do mundo cruel”, a vida privada agora é amplamente retratada como um local de violência, risco e abuso emocional. Se no interior da psicanálise era o medo de si e do próprio desejo que explicavam o sofrimento feminino, na narrativa terapêutica contemporânea o medo decorre da violência do outro que causa baixa autoestima ou limita a autonomia.

Publicado em 2015 pela youtuber Julia Tolezano, quando o debate sobre os relacionamentos abusivos começava a despontar na mídia, o vídeo “Não tira o batom vermelho” possui hoje mais de 3,5 milhões de visualizações[7]. No vídeo, ela explica: “eu resolvi fazer um vídeo sobre relacionamentos abusivos porque é uma coisa muito recorrente, mas geralmente você não sabe que você tá num relacionamento abusivo. Uma parte de você sabe, mas você meio que não sabe ao mesmo tempo”. Esta afirmativa – de que a vítima de relacionamento abusivo com frequência não se reconhece como tal – se repete em vários textos sobre relações abusivas. Uma colunista da revista Capricho, por exemplo, afirma que as mulheres sofrem de uma cegueira temporária que as incapacita de perceber em sua relação os comportamentos abusivos:

Não sou formada em medicina nem graduada em Grey’s Anatomy ou House, mas existe um termo médico chamado cegueira temporária (ou cegueira fugaz). Ela pode ser causada por fatores externos, como mau uso de smartphones ou produtos químicos, e por fatores internos, como problemas cardíacos ou psicológicos. [...] Ao negarmos apoio às vítimas de relacionamentos abusivos, negamos também ajuda a uma pessoa que está temporariamente cega. [...] Outras só se dão conta da sua realidade após alguém abrir seus olhos[8]

No blog da ONG Não me Kahlo, a incerteza da mulher sobre estar ou não em um relacionamento abusivo é o bastante para a classificação: “Se você se identifica com os relatos que lê e a dúvida vem te incomodando, é bastante provável que a resposta seja sim. Afinal, um relacionamento não deveria fazer você se sentir desconfortável a ponto de desconfiar que ele seja abusivo”. Ainda de acordo com a publicação, imersas nas relações tóxicas, as vítimas podem levar “meses ou até anos para perceber que passaram por uma experiência abusiva”[9]. Desse modo, as relações abusivas são construídas como um problema social ao mesmo tempo grave e invisível, afetando uma grande quantidade de mulheres sem que elas sequer desconfiem disso, como uma epidemia silenciosa. Uma vez difundida, essa crença facilita a identificação da audiência com os testemunhos de relacionamento abusivo: cada indivíduo é levado a se questionar se ele próprio não seria também uma vítima. A incerteza é também o que permite a leitura retrospectiva das experiências amorosas. Esta releitura transforma o que poderia ser visto como uma mera insatisfação no momento da relação em sintoma de um relacionamento abusivo após o término.

Por este motivo, são recorrentes as matérias trazendo depoimentos reais, questionários e listas de sintomas, com o objetivo de permitir que a audiência aprenda a identificar uma relação violenta e, por vezes, se reconhecer também como uma vítima. Alguns textos trazem títulos como “Você pode estar em um relacionamento abusivo (mesmo que ele não bata em você)”[10] e “15 sinais que ajudam a definir um relacionamento abusivo”[11]. As listas apresentam critérios subjetivos como “As ações dele fazem você se sentir estranha ou questionar se o que aconteceu foi normal” ou “Ele não reage bem a suas conquistas e às coisas boas que acontecem na sua vida”.

Eva Illouz sugere que o feminismo e a terapêutica participaram como agentes da racionalização das relações íntimas, em que “os sentimentos podem ser desligados do sujeito para controle e esclarecimento”, tornando os relacionamentos “passíveis de despersonalização, ou propensos a serem esvaziados de sua particularidade e avaliados de acordo com critérios abstratos” (ILLOUZ, 2011, p. 55). Nesta gramática da vida íntima, “os sentimentos tornam-se objetos a serem observados e manipulados” (Ibidem, p. 51). E, ao veicularem relatos de vítimas que superaram relacionamentos abusivos, os meios de comunicação atuam como espaço de socialização do psíquico na atribuição de forma e significado às dificuldades da vida privada (EHRENBERG, 2010, p. 112). Assim, a mídia exerce um papel fundamental na construção do conceito de relacionamento abusivo por elaborar e difundir uma pedagogia das relações amorosas.

Nas redes sociais ou nos programas jornalísticos, nesse processo de construir, descrever e popularizar a classificação de relacionamento abusivo, mais importante do que a fala de especialistas são os relatos em primeira mão daquelas que viveram a experiência. É através da narrativa testemunhal do sofrimento e da superação que se busca que outras mulheres se identifiquem e se afirmem enquanto vítimas de abuso. Uma vez que nossa cultura cada vez mais parece se apoiar nos relatos de experiências individuais como fontes autênticas de verdade, essas narrativas em primeira pessoa possuem um impacto poderoso por trazerem histórias de vida verdadeiras.

Somados, o lugar de autoridade e verdade concedido ao sofredor e o interesse social pelo sofrimento psicológico fizeram do testemunho de vítima uma narrativa com ampla aderência, consolidando-o como forma de discurso autobiográfico com função terapêutica predominante nos últimos anos, substituindo a confissão clínica. O triunfo do gênero testemunhal representa “a virada para fora” do sujeito confessional, uma vez que os conflitos que residiam no seu interior e o constituíam agora são considerados exteriores ao self (RADSTONE, 2006, p. 176). A insistente demanda pela revelação pública das experiências de sofrimento e de nossas emoções, sob o pretexto de que falar abertamente sobre nossos sentimentos é parte essencial no processo de cura e libertação, garante uma conjuntura favorável à produção dessas narrativas autobiográficas. Narrar publicamente a experiência de abuso também seria positivo por ajudar outras vítimas a se reconhecerem como tal: “Pensei muito sobre se deveria escrever sobre a minha vida ou não e decidi que sim. Decido que devo colocar para fora o que tanto me atormentava e decido, de alguma forma, ajudar mulheres que passam pelo o que passei”[12].

O fim de toda relação amorosa costuma ser experimentada como um momento de profunda angústia e desapontamento – mas esse desapontamento pode ser ainda maior em uma cultura que localiza nos indivíduos exclusivamente a responsabilidade por fazer seus relacionamentos “funcionarem”. Uma internauta afirma que a vítima “só percebe que viveu um relacionamento abusivo depois que sai dele”[13]. Essa incerteza quanto à verdadeira natureza da relação é o que possibilita resignificar o passado e atribuir a ele o estatuto de violento. De uma posição mais cética, podemos supor que após o término da relação, o indivíduo busca em sua cultura explicações para o seu sofrimento que o confortem: ou porque se sente culpado pelo fracasso da relação, imaginando o que poderia ter feito de diferente, ou porque se sente culpado por causar sofrimento ao outro quando deseja e decide terminar o relacionamento. Em ambos os casos, o que importa é que o conceito de relacionamento abusivo fornece alívio na medida em que faz com que terminar a relação amorosa passe a ser símbolo da força interior e da coragem da vítima de colocar um basta em uma situação de violência, dentro de uma narrativa de superação: “colocar-se no lugar do manipulado é uma maneira de se eximir da responsabilidade” (BOSCO, 2017, p. 180). Isso significa que quando um indivíduo reinterpreta o que viveu, ele não está “descobrindo a verdade” sobre aquilo que aconteceu: ele está transformando fundamentalmente a sua experiência. Assim, alguns testemunhos de vítimas de relacionamentos abusivos podem ser vistos como uma maneira de reelaboração das experiências após um término de relacionamento doloroso que provêm ao indivíduo uma nova narrativa.

Graças à sua larga definição, e por reiterar a preocupação contemporânea com a saúde mental e com a baixa autoestima, o conceito de abuso é de fácil identificação. Quando em posse de conceitos expandidos de violência, cada indivíduo pode reinterpretar a sua trajetória de vida, fazendo com que as suas relações afetivas sejam reelaboradas a partir desse enquadramento do sofrimento psíquico causado pelo outro imoral. Neste contexto, a experiência sexual feminina passa a estar associada tipicamente à vitimização e à passividade, enquanto o desejo sexual masculino é associado à agressividade (GREGORI, 1993). O que impede a mulher de se realizar sexualmente não é mais seu desejo reprimido e angustiado, mas uma experiência abusiva em seu passado ou a mera ameaça de violência que supostamente paira sobre todas as relações heterossexuais.

 

Considerações finais

Relatar publicamente sua experiência a fim de gerar identificação em outros indivíduos que são potencialmente vítimas vislumbra a produção de novas narrativas de si e, portanto, de novas subjetividades. Partindo do pressuposto que cada cultura conta com formas singulares de dar sentido ao sofrimento humano que funcionam por meio de códigos de sentido compartilhados pela comunidade, o conceito de relacionamento abusivo parece se manifestar como uma forma inédita de estabelecer um nexo entre sofrimento, experiência amorosa e moralidade por meio da terapêutica. Atrelado à noção de vítima, esse conceito passa a ser crucial no conceito de produção da subjetividade contemporânea.

A princípio, as narrativas sobre relacionamentos abusivos se organizam em torno da defesa da autonomia feminina nas relações amorosas como questão primordial. É a proteção da mulher, de seus desejos e de sua liberdade, que está em jogo nesta forma de discurso sobre a violência psicológica e suas manifestações na vida íntima. No entanto, o que percebemos é que essas narrativas têm colaborado para produzir, pelo contrário, uma representação das mulheres como vítimas indefesas, aprisionadas em relacionamentos violentos, sem qualquer agência ou poder de escolha, incapazes de resistir diante da manipulação masculina, despojadas de autonomia: “Denúncias de ‘manipulação psicológica’, de ‘relacionamentos abusivos’ e de ‘assédio moral’ [...] são consequência da perspectiva segundo a qual a mulher não tem autonomia, é constitutivamente uma vítima que ‘demanda proteção’” (BOSCO, 2017, p. 17).

Por trás dessas narrativas, ao invés da afirmação da mulher como sujeito autônomo e emancipado, capaz de dar consentimento e também de resistir à imposição da vontade do outro, está a premissa de que as mulheres não possuem a mesma força emocional e psicológica nem o mesmo domínio de si que os homens possuem (KIPNIS, 2017, p. 8). Mulheres seriam mais facilmente manipuladas, mais suscetíveis à sugestão, menos capazes de se defender – psicologicamente mais frágeis e vulneráveis. Ao invés de afirmarem a autonomia feminina, essas narrativas partem do pressuposto de que as vítimas não possuem consciência sobre a sua situação, de que são desprovidas da capacidade de decidirem por conta própria quando terminar ou não uma relação amorosa – o que confere a essa retórica um caráter pedagógico que beira o paternalismo.

Estes discursos produzem uma dualidade do tipo algoz e vítima como maneira de interpretar as relações amorosas no contemporâneo – e a mulher, necessariamente, está na posição de passividade e vulnerabilidade. Portanto, um dos aspectos problemáticos dessas narrativas é o modo como elas constroem os desejos masculino e feminino. Na descrição das relações amorosas em que ocorre violência, tipicamente, “os homens humilham e agridem, as mulheres têm medo, vergonha e se sentem culpadas. Os homens agem, as mulheres sentem” (GREGORI, 1993, p. 145). E, se para fazer um debate político democrático, “é preciso haver algum tipo de vínculo em comum entre as partes em conflito, para que elas não tratem seus oponentes como inimigos que devem ser erradicados” (MOUFFE, 2015, p. 18), esses relatos parecem levar à supressão do outro por conta de sua imoralidade. Desse modo, tornar o campo da experiência amorosa como palco de uma luta unilateral entre vítimas e agressores leva a uma moralização do íntimo e do privado e a uma aproximação à retórica punitivista.

Ora, se a luta feminista tem como um dos fundamentos o empoderamento feminino e a denúncia de comportamentos paternalistas masculinos dentro das relações, em que medida esse projeto é de fato efetivo, uma vez que sugere que suas vítimas são incapazes de perceber suas próprias realidades? O questionamento não diz respeito a uma deslegitimação das denúncias de agressão ou do movimento feminista em suas mais diversas vertentes, mas de buscar formas de fazer política que nos levem a uma perspectiva que não tenha em seu cerne o punitivismo como única alternativa. A discussão diz mais sobre como pensar o político sem que ele esteja unicamente imbricado ao íntimo e individual, mas que seja capaz, coletivamente, de suscitar modificação estrutural, transformação social e, principalmente, de conferir às mulheres a posição de agentes de nossa própria história.

 

Referências

BOSCO, F. A vítima tem sempre razão?: Lutas identitárias e o novo espaço público brasileiro. São Paulo: Todavia, 2017.

EHRENBERG, A. The weariness of the self: diagnosing the history of depression in the Contemporary Age. Montreal & Kingston, London, Ithaca: McGill-Queen’s University Press, 2010.

FOUCAULT, M. História da sexualidade 1: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.

______. História da Sexualidade 2: O uso dos prazeres. 13ª ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984.

______. Ditos e escritos, volume V. Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.

FUREDI, F. Therapy culture: cultivating vulnerability in an uncertain age. New York: Routledge, 2004.

GREGORI, M. F. As desventuras do vitimismo. Estudos feministas, v. 1, n. 1, p. 143-149, 1993.

HACKING, I. Rewriting the soul: multiple personality and the sciences of memory. New Jersey: Princeton University Press, 1995.

ILLOUZ, E. O amor nos tempos do capitalismo. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

______. Why love hurts: a sociological explanation. Cambridge: Polity Press, 2012.

KIPNIS, L. Unwanted Advances. Sexual paranoia comes to campus. New York: HaperCollins Publishers, 2017.

MASCARENHAS, E. A costela de Adão: cartas a um psicanalista. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986.

MELO, C.; VAZ, P. Perda gestacional e neonatal, um sofrimento como outro qualquer. Revista Matrizes, v. 13, n. 2, p. 91-112, maio/ago 2019.

MOUFFE, C. Sobre o político. São Paulo: Martins Fontes, 2015.

RADSTONE, S. Cultures of confession/cultures of testimony: turning the subject inside out. In: GILL, J. (org.). Modern confessional writing. Oxon: Routledge, 2006.

RIEFF, P. O triunfo da terapêutica. São Paulo: Brasiliense, 1990.

TAYLOR, C. As fontes do self: a construção da identidade moderna. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

______. A Secular Age. Cambridge: Harvard University Press, 2007.

VAZ, P. A vida feliz das vítimas. In: FREIRE FILHO, J. (org.). Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade. Rio de Janeiro: FGV, 2010, p. 135-164.

[1] Os relatos estão disponíveis em: https://twitter.com/hashtag/EuViviUmRelacionamentoAbusivo e https://twitter.com/hashtag/ERelacionamentoAbusivoQuando. Acesso em 13 fev. 2019.

[2] Edições de 06 ago. 2015, 31 out. 2016, 11 abr. 2017, 17 abr. 2017, 06 jul. 2017 e 08 mar. 2018. Disponível em: http://gshow.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes/. Acesso em 13 fev. 2019.

[3] “Saiba como identificar e superar um relacionamento abusivo”. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/7075864/. Acesso em 13 fev. 2019.

[4] “Mulheres sobreviventes da violência dão lição de como identificar relacionamentos abusivos”. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/6945304/. Acesso em 13 fev. 2019.

[5] “Três de cada cinco mulheres já foram vítimas de relacionamentos abusivos”. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/6252064/. Acesso em 13 fev. 2019.

[6]“Mulher fala sobre a dificuldade de reconhecer e conseguir sair de relacionamentos abusivos”. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/5824963/. Acesso em 13 fev. 2019.

[7] Disponível em: https://youtu.be/I-3ocjJTPHg. Acesso em 14 fev. 2019.

[8] “O papel da amiga diante de um relacionamento abusivo”. Disponível em: https://capricho.abril.com.br/vida-real/relacionamentos-abusivos-loucura-e-cegueira-temporaria-da-vitima/. Acesso em 08 dez. 2018.

[9] “Mas... Isso também é abuso?”. Disponível em: https://www.naomekahlo.com/mas-isso-tambem-e-abuso/. Acesso em 14 fev. 2019.

[10] “Você pode estar em um relacionamento abusivo (mesmo que ele não bata em você)”. Disponível em: https://www.huffpostbrasil.com/2016/08/21/voce-pode-estar-em-um-relacionamento-abusivo-mesmo-que-ele-nao_a_21687641/. Acesso em 20 out. 2018.

[11] “15 sinais que ajudam a definir um relacionamento abusivo”. Disponível em: https://www.buzzfeed.com/florapaul/sinais-de-um-relacionamento-abusivo. Acesso em 20 out. 2018.

[12] Disponível em: https://www.facebook.com/nane.mastrodomenico/posts/10212923336459404.. Acesso em 13 out. 2019.

[13] Disponível em: https://twitter.com/cliffodemais/status/851718422824194048. Acesso em 13 out. 2019.

 

Autores

AMANDA SANTOS 
Doutoranda em Comunicação na ECO/UFRJ, Brasil.
E-mail: [email protected]

 

NICOLE SANCHOTENE
Doutoranda em Comunicação na ECO/UFRJ, Brasil.
E-mail: [email protected]

 

PAULO VAZ
Doutor em Comunicação pela ECO-UFRJ, Brasil
Professor adjunto na UFRJ.
E-mail: [email protected]

editor

Prof. Dr. Marcelo Santos - Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (2012). Profa. Dra. Simonetta - Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP (2001).

Informações do artigo
Líbero Edição 44

JUL. / DEZ. 2019 | ISSN: 2525-3166 | Revista do Programa de Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero

Leia mais